Erro em documento faz mulher ter que provar que está viva

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Hélia Araujo

Sandra de Oliveira, 57, foi dada como morta em certidão de óbito de ex-marido e agora sofre com burocracia

Tribunal de Justiça de São Paulo já aceitou retificação de registro, mas cartório diz que não recebeu os documentos

“Sou uma morta-viva.” É assim que a comerciante Sandra Américo de Oliveira, 57, de Ribeirão Preto (313 km de SP), se autodenomina desde 2007. Foi naquele ano que ela descobriu que Antônio Leodoro da Silva, seu ex-marido, estava morto.

Por engano, na certidão de óbito foi escrito que ele era “viúvo”, o que tornou Sandra oficialmente morta.

“Ele morreu e me levou junto. Só que eu estou “vivinha da silva” e até hoje não consegui provar isso”, disse.

Toda a confusão na vida de Sandra começou em 1997, quando se casou com Silva, em Foz do Iguaçu (PR).

Evangélica, ela conheceu o ex-marido por indicação da igreja e só o viu uma única vez antes do casamento.

A cerimônia aconteceu do jeito que ela sempre sonhou: vestida de branco, com direito a véu, grinalda e na igreja à qual pertencia. Mas o matrimônio durou pouco -apenas um mês e 15 dias.

“Eu o flagrei tendo relações sexuais com uma cabra. Fiquei horrorizada e fui até a igreja falar com o pastor.”

Na sequência, ela procurou um advogado para se separar oficialmente, mas não conseguiu localizar Silva. Só dez anos depois, em 2007, soube da sua morte.

Ainda naquele ano, Sandra tentou receber a pensão do ex-marido no INSS e veio uma surpresa ainda maior: “A atendente falou que eu não poderia receber nada porque eu estava morta”.

Para consertar o problema, ela pediu a retificação do registro de óbito do ex-marido já naquele ano -o que foi aceito pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, em 2010.

O problema persiste até hoje porque o cartório de Medianeira, no Paraná, diz que ainda não recebeu os documentos. Assim, Sandra não consegue abrir conta em bancos nem fazer crediários, perdeu a chance de conseguir uma casa pela CDHU e não pode colocar o carro que comprou em seu nome.

Apesar de viver há sete anos com outro companheiro hoje, Sandra também não consegue o direito de se separar legalmente.

“Sem contar que sou descriminada na minha igreja. Eles não aceitam esse tipo de união que tenho. Fico triste, porque a religião é muito importante para mim.”

NASCIMENTO

Sandra soube ainda que nem mesmo sua certidão de nascimento pode ser encontrada. A original, ela diz ter deixado em Foz do Iguaçu, durante o casamento.

Já no cartório de Presidente Prudente, onde nasceu, ninguém acha seu registro. “Era só o que me faltava. Além de morta, nem nasci. Mas eu estou viva. Quer me beliscar para ter certeza?”

Fonte: Folha de São Paulo

Uma resposta to “Erro em documento faz mulher ter que provar que está viva”

  1. Diana Says:

    Não sei o que é pior: a parte da cabra; a indicação da igreja; o erro do cartório ou a burocracia!!!! Estou na dúvida!

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