Carta-bomba para juíza explode em fórum

by

Felipe Luchete
José Petrola
De São Paulo

Marília Rocha
Enviada especial a Rio Claro

Uma bomba caseira -em forma de Papai Noel e endereçada a uma juíza- explodiu na tarde de ontem no Fórum de Rio Claro, cidade do interior paulista a 173 km da capital, ferindo dois funcionários.

O alvo do atentado, segundo a Polícia Civil, era a magistrada Cynthia Andraus Carreta, diretora do fórum e titular da 3ª Vara Cível.

A Vara Cível julga, por exemplo, casos de adoção, divórcio, briga de vizinhos, contrato e direito do consumidor.

Roberto José Daher, delegado seccional de Rio Claro, afirma que o Papai Noel estava num pacote sem remetente encontrado por uma funcionária numa mesa no saguão do primeiro andar do fórum.

Ela chamou um guarda municipal, que levou o pacote para a recepção, no térreo do edifício. Segundo Daher, o pacote era do tamanho de uma caixa de bombom e estava embrulhado em um papel com motivos natalinos.

Dois funcionários abriram o pacote e encontraram um Papai Noel de brinquedo dentro, que explodiu em seguida.

Um funcionário feriu as mãos e o tórax. Ele passou por cirurgia. Seu estado é estável. O outro teve ferimentos leves.

A bomba continha objetos metálicos que se espalharam com a explosão. O material passará agora por perícia. A polícia classifica o episódio como um atentado. Não há indícios, segundo os investigadores, de que o pacote tenha sido entregue pelos Correios.

No prédio do fórum não existem câmeras de segurança, o que dificulta a identificação de possíveis suspeitos.

PROCESSOS

A polícia vai agora levantar processos em que a juíza trabalha. Segundo o delegado, a magistrada lhe disse que não está assustada, pois, afirmou, “juízes sabem que correm esse risco”.

A diretora administrativa do fórum, Cíntia Mazzeo, disse que a magistrada não estava no prédio ontem porque havia feito exames de saúde.

Levantamento do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de agosto de 2011 mostra que 134 juízes estão ameaçados no país. As informações foram repassadas à Corregedoria do CNJ por tribunais estaduais e regionais federais.

Em 11 de agosto passado, a juíza Patrícia Acioli foi morta a tiros no Rio de Janeiro.

A investigação apontou que policiais militares planejaram e executaram o crime, pois as investigações de Acioli atrapalhavam esquema de extorsão montado por PMs.

Em 2003, o juiz Alexandre Martins de Castro Filho foi assassinado a tiros em Vitória, no Espírito Santo. Ele havia denunciado um esquema montado para liberar presos irregularmente. Um ex-policial civil foi preso acusado de participação no crime. Um coronel da PM foi denunciado.

Dez dias antes da morte de Castro Filho, o juiz Antônio José Machado Dias foi morto a tiros após sair do Fórum de Presidente Prudente, em São Paulo. O traficante Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, foi condenado a 29 anos pelo crime, em 2009.

Colaborou SÍLVIA FREIRE, de São Paulo

Frase

“A Presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo lamenta o ocorrido e dará toda a assistência aos servidores feridos, bem como a segurança necessária à magistrada e ao prédio do Fórum de Rio Claro, que tem suspensos os trabalhos”

IVAN SARTORI

presidente do Tribunal de Justiça de SP, em nota

TJ diz que dará segurança à magistrada

DE SÃO PAULO

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Sartori, divulgou nota na qual disse lamentar o atentado ocorrido no Fórum de Rio Claro.

Ele afirmou que “dará toda a assistência aos servidores feridos, bem como a segurança necessária à magistrada e ao prédio”.

Os trabalhos no Fórum de Rio Claro estarão suspensos hoje, de acordo com o Tribunal de Justiça, e os prazos processuais também ficarão suspensos.

Nessa mesma nota Sartori informou ter recebido um telefonema do ministro Cezar Peluso, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Na ligação o ministro solidarizou-se “com a Presidência do tribunal, magistrada, servidores e povo de Rio Claro” e “colocou-se, também, à disposição para eventuais providências no tocante à segurança.”

Procurado, o Ministério Público Estadual paulista não quis se manifestar sobre o atentando contra a magistrada e aos funcionários do fórum.

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, também não se manifestou sobre o episódio.

Fonte: Folha de São Paulo

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