Suplente pega 103 anos por assassinar deputada

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Talvane Albuquerque é considerado o mandante das mortes de Ceci Cunha, do marido dela, Juvenal Cunha; da sogra, Ítala Neyde; e do cunhado, Iran Carlos, em dezembro de 1998

Edson Luiz

Maceió – Em um estado marcado por vários crimes violentos e muitas vezes impunes, cinco pessoas foram condenadas a penas que somam 476 anos de prisão, por realizar uma chacina que abalou o país. Na madrugada de ontem foi lida, na Vara Federal de Maceió, a sentença que levou o ex-deputado Talvane Albuquerque Neto e quatro assessores para a cadeia, por terem matado a deputada Ceci Cunha (PSDB), seu marido Jurandir Cunha, e dois parentes na noite de diplomação da parlamentar, em dezembro de 1998.

Todos os acusados foram encaminhados para a Polícia Federal, por ordem do juiz André Luis Maia Tobias Granja, que também teve o pai executado por pistoleiros há 20 anos. Rodrigo e Adriana, filhos de Ceci Cunha e Jurandir, seguraram a emoção até o fim da leitura da sentença. Quando o juiz determinou a condenação de Talvane a 103 anos e 4 meses de prisão, os dois choraram abraçados.

Nos últimos dias, Rodrigo afirmava que a família da deputada estava no local não em busca de vingança, mas de justiça. “Eu cresci ouvindo que gente rica jamais ia para a cadeia. O que acontece hoje, aqui, é um exemplo oposto disso. Meu filho não crescerá acreditando que, apenas por ter dinheiro, uma pessoa pode fazer coisas erradas e sair impune”, disse o rapaz. Do outro lado do auditório da 1ª Vara Federal também havia choro, mas de familiares e dos réus, que tiveram que ir do tribunal direto para a sede da PF.

O Juiz André Granja considerou que, pelas circunstâncias do crime – que foi considerado hediondo –, Talvane e seus quatro assessores devem cumprir a pena presos, enquanto tramitam os recursos da defesa. Além disso, cada um terá que pagar R$ 100 mil aos dependentes de cada vítima, além de 500 salários mínimos em favor dos familiares de Ceci. Foram condenados também Jadielson Barbosa da Silva, José Alexandre dos Santos, Alécio César Alves Vasco e Mendonça Medeiros Silva. Por conta da legislação brasileira, no entanto, o tempo máximo que eles poderão permanecer presos será 30 anos.

TUCANOS ATENTOS O PSDB, partido a que Ceci era filiada, cogitou levar para assistir ao julgamento representantes de expressão da legenda, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas desistiu da ideia por medo de a presença tirar a atenção do julgamento ou ser usada pela defesa. O presidente do partido, deputado federal Sérgio Guerra (PE), disse que acreditava na Justiça. “Que esse resultado sirva para desencorajar aqueles que tentam chegar ao poder a qualquer custo”, disse. “Neste momento, somos solidários à família da nossa querida deputada Ceci Cunha. Fez-se justiça à sua memória”, completou Guerra.

Para o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), mesmo com a morosidade do julgamento, já que o crime ocorreu há 13 anos, o resultado foi satisfatório. “Acho que é uma justiça tardia, mas que significa um alento, pelo fato de o Poder Judiciário ter sido rígido com um réu de colarinho branco”, observou Dias. No meio jurídico, o resultado do julgamento também foi comemorado. “Estamos diante de um trabalho que reforça a imagem do Judiciário. É um momento histórico”, disse o juiz assistente da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Erivaldo Ribeiro dos Santos.

Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, a Justiça começou a mostrar uma reação à impunidade. “O julgamento foi um marco na defesa dos direitos humanos, sobretudo por estar relacionado a um crime ocorrido pela busca de um mandato eleitoral”, afirmou.

MARATONA

A saída dos condenados do Auditório Pedro Acioli, escoltados por policiais federais, encerrou a maratona de 53 horas, divididas em três sessões, do julgamento, iniciado na manhã de segunda-feira e concluído às 9h de ontem. Só a última sessão, aberta às 9h de quarta-feira, durou 24 horas, nas quais foram apresentadas as argumentações finais de acusação e defesa, que tiveram direito a réplica e tréplica entre as partes. Depois, houve um recesso de sete horas, no qual os jurados preencheram um questionário com 130 perguntas formuladas pelo juiz, que elaborou a sentença. A pronúncia final de André Granja, somada aos requerimentos da defesa, durou três horas. Cerca de 300 familiares e amigos tanto de vítimas quanto de acusados aguardaram a sentença toda a noite.

Fonte Estado de Minas

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