Casais criam regras para a internet

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LAURA M. HOLSON

A ascensão das mídias sociais criou uma nova fonte de atrito para os casais: o que vale ou não compartilhar com o mundo?

Se um dos parceiros não tem interesse em contar ao mundo os detalhes de um jantar frustrado ou de um fim de semana romântico, postagens no Facebook ou Twitter podem criar irritação, constrangimento, mal-entendidos ou arranhões no ego.

Algumas pessoas estão insistindo para que seus parceiros peçam sua aprovação antes de publicarem comentários ou fotos que as incluam. Alguns casais passaram a discutir tais regras já no primeiro encontro.

“Uma negociação padrão acontece em muitos relacionamentos”, disse Lee Rainie, diretor do Projeto Internet e Vida Americana, do Centro de Pesquisas Pew. “Haverá momentos de desconforto, ainda mais se a negociação se desenrolar em público.”

Rebecca Gray, doutoranda da Universidade Estadual de Michigan, em East Lansing, mora com seu namorado, Ernest Whiting. Em maio de 2011, Whiting tirou uma foto dela com o rosto lambuzado por uma máscara embelezadora de lama vulcânica.

Em agosto, o Facebook avisou Gray de que ela havia sido marcada em uma foto. Whiting publicara a foto em seu perfil depois de encontrar o arquivo no computador da namorada. “Meu queixo caiu”, disse a garota.

Ela exigiu que a foto fosse retirada. “Estava aparecendo no meu mural”, disse. “As pessoas diziam: ‘O que é isso? Que engraçado!'”. Ela entrou na conta do namorado e retirou a foto. “Eu falei para ele: ‘Você perdeu o privilégio de usar o meu computador. O que você estava pensando?'”

Whiting diz que só estava se divertindo. “Acho que, se eu pensasse nisso num contexto, não teria feito”, disse. Ele não deve repetir a “mancada”. “Ela agora media nossas fotos”, afirmou, timidamente.

Até casais acostumados às redes sociais estão às voltas com a nova etiqueta, como Nozlee Samadzadeh e Jarrett Moran. Em 2009, eles criaram uma conta no Tumblr para mostrar o que cozinhavam juntos. O casal concordou em revisar mutuamente as postagens antes da publicação. Samadzadeh disse que recentemente quase postou um comentário reclamando por ter de fazer o jantar, já que Moran iria chegar tarde em casa. Moran pediu a ela que reescrevesse a mensagem.

Com frequência, um dos parceiros tem mais interesse em compartilhar coisas do que o outro. A esteticista Jenny Luu, de Washington, conta que há dois anos pediu ao marido, o músico e fotógrafo Jason Hamacher, que parasse de postar coisas no Facebook quando saísse para trabalhar (ela não queria que estranhos soubessem que ela estava sozinha em casa).

Há dois meses, Luu reclamou quando o marido comentou no Facebook sobre um conserto no telhado da centenária casa onde moram. Luu temia que seus amigos achassem que o casal estava se gabando. “Não quero que as pessoas pensem que temos muito dinheiro”, disse Luu. “Não quero deixar as pessoas desconfortáveis.”

Para alguns cônjuges, a melhor defesa é a ignorância.

George Stephanopoulos, ex-assessor do governo Bill Clinton e hoje apresentador de TV, disse que foi eleito em janeiro, durante uma festa do canal ABC News, como “o âncora mais propenso a ficar ansioso com os tuítes da mulher”. Ele é casado com a comediante Alexandra Wentworth, que tem mais de 42 mil seguidores no Twitter.

“Eu tenho uma regra simples”, disse Stephanopoulos, rindo. “Não pergunte, não leia.”

Fonte: The New York Times (Folha de São Paulo)

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