Com crise, contrabando de cigarros cresce na Europa

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Por STEPHEN CASTLE e DOREEN CARVAJAL

LONDRES – Quando o navio Sophie Maersk atracou no porto britânico de Felixstowe, carregava dois contêineres de 12 metros cheios do que havia sido registrado como brinquedos e tartarugas de pelúcia.

Na verdade, os contêineres estavam lotados com mais de 20 milhões de cigarros contrabandeados por um círculo que incluía um consultor de recrutamento, o dono de uma companhia de andaimes e um empresário milionário de reciclagem plástica de Dubai que passava por dificuldades durante a recessão na Europa.

Autoridades policiais e contrabandistas há muito tempo brincam de gato e rato na Europa, onde o contrabando de cigarros é feito entre carregamentos de artigos como móveis e árvores de Natal. Mas a crise econômica de quatro anos na Europa está expandido o mercado negro de cigarros, roubando dos países da União Europeia receitas valiosas e atraindo novos contrabandistas de classe média.

O impacto da perda de receitas fiscais é enorme, especialmente porque a UE é financiada em parte por taxas alfandegárias, 75% das quais são repassadas para o bloco pelos países membros.

“O prejuízo é de ¤ 1 bilhão no orçamento da UE e até ¤ 9 bilhões nos países membros”, afirma Jens Geier, um membro alemão do Parlamento Europeu.

Na Espanha, as vendas ilícitas no ano passado subiram 300%, chegando a mais de 4,6 bilhões de cigarros.

Na Irlanda, os contrabandistas controlam mais de 17% do mercado. Ao todo, o mercado negro de cigarros manteve uma ascensão constante pelo quinto ano consecutivo, alcançando 10% do consumo ou 65 bilhões de cigarros, segundo um relatório emitido em junho pela KPMG para a Philip Morris International.

O contrabando floresceu especialmente em países onde o preço de um maço de cigarros passou de US$ 10, resultado do aumento de impostos e de carteiras mais magras.

“Em tempos de crise econômica, especialmente uma crise longa como a que a Europa está experimentando, as pessoas têm menos renda disponível e ficam especialmente interessadas por produtos mais baratos”, disse Simeon Djankov, ministro das Finanças da Bulgária. Lá, segundo ele, a participação no mercado dos cigarros contrabandeados mais que duplicou entre 2008 e 2010.

O prejuízo fiscal da operação de contrabando de brinquedos foi de mais de US$ 5 milhões para o governo britânico, segundo Paul Barton, diretor de investigações criminais na Receita e Alfândegas do Reino Unido. Ele disse que o complô foi tão organizado que os participantes, nenhum dos quais tinha registro anterior por contrabando, anunciavam os cigarros com folhetos em cores.

Mas os investigadores acreditam que as organizações criminosas estão por trás do contrabando. Austin Rowan, do Escritório Antifraude da UE, disse: “Esse negócio está financiando organizações envolvidas em outras atividades, incluindo o tráfico de drogas”.

Fonte: The New York Times (Folha de São Paulo)

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