Nova ofensiva dos ladrões de joias

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Um sequestro que terminou em roubo a joalheria dentro do Praia de Belas, somado a uma série de outros ataques no RS, mostra que o mercado clandestino de ouro e pedras preciosas alimenta o crime.

A libertação de dois reféns, na manhã de ontem, deu um final menos dramático a um crime que poderia ter manchado com tragédia um dos templos do comércio em Porto Alegre, o Praia de Belas Shopping. O centro comercial foi palco de um assalto planejado de forma meticulosa, que começou às 22h de quarta-feira. A ação de seis assaltantes contra a joalheria Coliseu, situada no shopping, teve início em Viamão. Os ladrões aprisionaram a subgerente do estabelecimento e seu companheiro e os forçaram a saquear o próprio local de trabalho. O casal foi libertado mais de 13 horas depois, em Canoas. A quantia levada em joias não foi revelada.

O episódio do Praia de Belas está longe de ser um fato isolado. Uma sequência de assaltos a joalherias e óticas tem espalhado temor entre comerciantes gaúchos. De 2011 para 2012, o número dos roubos cresceu 46% no Rio Grande do Sul. Mais de 80% dos ataques acontecem no Interior.

Foi por volta das 22h de quarta-feira que um bandido pulou o muro de uma casa em Viamão e anunciou o sequestro de Jaqueline Capitó Gonçalves, 24 anos, e do companheiro, o administrador de uma autoescola em Porto Alegre, Lucas Schntz, 26 anos. Após entrar, o bandido abriu a casa para outros dois homens e três mulheres. Enquanto estavam na residência, assaram carne e comeram chocolate, mantendo os reféns amarrados e vendados. Os criminosos ainda aproveitaram o tempo para provar as roupas dos reféns e chegaram a recolher um cofre de moedas, que tinha R$ 68.

Um alvo menos guarnecido

Lucas e Jaqueline foram levados em momentos distintos a um cativeiro na Região Metropolitana – o local ainda não foi identificado pela Polícia Civil. Por volta das 10h de ontem, o bando levou os reféns em três carros até as proximidades do shopping. Na companhia de uma sequestradora, a subgerente foi obrigada a pegar um táxi. Ao chegar à loja, houve o anúncio do assalto. A sequestradora deixou no local uma caixa, que aparentava ser um explosivo.

Jaqueline pediu para as funcionárias que permanecessem no local por cerca de 20 minutos. Se tudo fosse cumprido conforme orientado, a bomba seria automaticamente desativada. A refém e a sequestradora saíram do shopping com joias, numa quantia ainda não informada. O casal foi libertado no centro de Canoas.

– Meu filho teve de atravessar um banhado com lixo antes de conseguir ajuda. Ele chegou muito sujo e abalado – descreve a mãe de Lucas, Josane Schntz, 44 anos.

O medo vivenciado pelas duas famílias é rotina no Interior. Nos últimos cinco anos, a polícia registrou 150 assaltos a joalherias e óticas gaúchas, 44 deles em 2012. Se comparado com 2010, quando foram registrados 18 assaltos no total, o saldo do ano passado é 144% maior. Nos últimos dias do ano passado, uma fábrica de joias em Cotiporã, na Serra, foi alvo de uma quadrilha, que fez reféns para fugir.

Uma explicação possível para a escolha dos assaltantes é que joalherias são muito menos guarnecidas que bancos e, por vezes, guardam valores (em metais) muito maiores que uma agência bancária. O receptador pode revender o material ou até derretê-lo, para fazer novas joias.

A proprietária de uma joalheria, que pede para não ser identificada, chegou a contratar um guarda para a loja em Passo Fundo. Nem isso evitou que o estabelecimento fosse assaltado pela terceira vez, no segundo semestre de 2012. Os assaltantes renderam o segurança e invadiram a loja. A cada assalto, o marido implora para que a empresária mude de ramo. O amor pelo empreendimento, que conquistou depois de passar 14 anos sendo funcionária de uma joalheria, é o que a impede de abandoná-lo.

– Mas não sei por quanto tempo vou conseguir – diz ela.

Participaram desta cobertura Bruna Scirea, Carolina Rocha, Fernanda da Costa, Juliano Rodrigues e Matheus Piovesan

Fonte: Zero Hora

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