Novo surto de violência põe o México à prova

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Por RANDAL C. ARCHIBOLD

CIDADE DO MÉXICO – O novo presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, fez campanha com a promessa de reduzir a violência produzida pelo tráfico de drogas e pelo crime organizado e de tirar seu país dos noticiários sobre os cartéis e assassinatos.

Mas, ao revelar um programa de prevenção do crime em fevereiro e declarar que essa é a nova prioridade do governo, um turbilhão de violência ameaçou solapar sua mensagem e aumentar a pressão por um confronto mais firme da ilegalidade que fustigou seu antecessor.

O Estado de Guerrero, no sudoeste, há tempos atingido por erupções de violência, mostrou-se novamente um desafio. Estupros por grupos contra várias mulheres ocorreram nos arredores do decadente balneário de Acapulco. Um ataque no mês passado a um grupo de espanholas ganhou manchetes no mundo todo, assim como uma emboscada que matou nove policiais em uma área montanhosa.

Frustradas porque o Estado não as protege, as cidades rurais pegaram em armas.

O banho de sangue apresenta um desafio para o presidente. Ele poderá evitar a abordagem de braço de ferro de seu antecessor e mudar o foco da discussão nacional para questões como a economia?

“Eles estão tentando fazer o presidente não usar a questão do crime como prioridade política”, disse Ana María Salazar, analista de segurança que apresenta um programa de rádio. “Mas, ao mesmo tempo, não parece que o que eles estão falando confrontará ou terá um impacto nas organizações criminosas e na violência atual.”

As autoridades dizem que querem romper com a abordagem do ex-presidente Felipe Calderón, que convocou os militares e a Polícia Federal para combater os bandos criminosos, mas o novo governo assumiu uma posição semelhante nos recentes tumultos. As autoridades também prometeram uma coordenação mais estreita entre a Polícia Federal e as autoridades estaduais.

“Está claro que devemos dar uma ênfase especial à prevenção. Não podemos continuar empregando armas mais sofisticadas, melhor equipamento, mais policiais e maior presença das Forças Armadas no país como a única forma de combater o crime organizado”, disse Peña Nieto.

O programa pede a criação de uma comissão interagências que gastaria US$ 9 bilhões nos próximos anos em 250 das cidades mais violentas.

O plano prevê dias escolares mais longos, programas contra a dependência de drogas e outras iniciativas sociais, além de projetos de obras públicas. As autoridades dizem que os detalhes do projeto ainda estão sendo elaborados.

Poucos discutem a necessidade desses programas, mas alguns especialistas também os veem como uma ação publicitária. “Não é um programa”, disse Alejandro Hope, analista de segurança e ex-agente da inteligência mexicana. “São instruções genéricas lançadas da estratosfera.”

Guerrero apresenta um microcosmo dos problemas do México. O Estado é cortado por rotas de transporte da cocaína da América do Sul. Seu terreno montanhoso oferece locais de esconderijo para a maconha e para a produção de papoulas. Também há bandos locais ativos no tráfico de drogas, em extorsões, em sequestros e em assaltos em Acapulco e região. Os moradores dizem que eles estão se infiltrando nas aldeias.

“Parte do problema é que há diferentes tipos de violência e cada qual exige um tipo de resposta diferente”, disse Chris Kyle, antropólogo da Universidade do Alabama em Birmingham que estudou Guerrero. “Provavelmente houve um declínio na violência ligada ao tráfico de drogas, que é a parte da equação mais sensível a uma solução federal. O vandalismo nas ruas e pequenos bandos de sequestro e de extorsão são melhor abordados por forças policiais locais, e estas são ineficazes em Guerrero.”

Fonte: The New York Times (Folha de São Paulo)

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