Fiscalização adulterada

by

Policiais rodoviários federais são presos na BR-116 por aceitar propina de motoristas

Patricia Giudice

Três policiais rodoviários federais foram presos ontem em Caratinga, Piedade de Caratinga e Manhuaçu, na Zona da Mata mineira, por aceitarem e cobrarem propina de motoristas nos postos em que atuavam, na BR-116. O dono de uma transportadora de Santa Bárbara do Leste e um caminhoneiro de Medina também foram detidos. Depois de um ano e meio de investigações, a Polícia Federal identificou o repasse de dinheiro via conta bancária e no próprio posto para os policiais, no entanto eles não atuavam como uma quadrilha.

Dois policiais estão na corporação há quase 20 anos e o outro entrou em 2006. Eles recebiam dinheiro para liberar veículos irregulares, como com documentação vencida, carga em excesso ou sem procedência, e não autuar motoristas por crimes definidos no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) nos postos da PRF localizados em Caratinga e Realeza, em Manhuaçu. Um dos policiais estava pronto para ir trabalhar quando foi preso por agentes da Polícia Federal. A operação, batizada de Cerração, contou com equipes da PF de Governador Valadares, da Corregedoria da PRF, em Brasília, com apoio de agentes do Rio de Janeiro.

Segundo o delegado da PF em Valadares, Cristiano Jomar Costa Campidelli, o empresário e o caminhoneiro foram identificados como pessoas que fizeram pagamentos frequentes aos agentes para ficarem sempre impunes. Ele explicou que eles atuavam de maneira isolada, sem associação e, portanto, outras pessoas podem ter pagado propina para eles. “Outras pessoas que não foram presas estão sendo chamadas para prestar depoimentos e algumas indiciadas. É importante que haja denúncias”, afirmou. Segundo ele, o sigilo bancário e telefônico dos suspeitos foi quebrado, mas também eles recebiam o pagamento em mercadorias. Os valores das transações não foram divulgados.

ANTECEDENTES

O corregedor-geral substituto da PRF, inspetor Raimundo de Castro Feitosa, disse que os três policiais já respondiam a processos administrativos pelo mesmo crime, mas nunca foram presos, por falta de flagrante. “A PRF em Minas confirmou que eles eram investigado, mas não havia elementos suficientes para uma demissão e eles não são considerados reincidentes”, explicou. Segundo ele, as investigações foram iniciadas a partir de denúncias recebidas pela Corregedoria e Ouvidoria da PRF. A PF foi acionada a pedido do Ministério Público Federal para dar apoio operacional e sustentar as investigações até a operação ser deflagrada.

Durante a operação na manhã de ontem, os uniformes e armas dos policiais rodoviários foram recolhidos, e a Justiça determinou seu afastamento imediato das atividades. Eles vão responder por corrupção passiva (aceitar, solicitar e/ou receber qualquer vantagem), prevaricação e concussão, e os outros dois presos por corrupção ativa (tentar corromper o policial para não ser fiscalizado). Segundo o delegado Campidelli, as penas variam entre 2 e 20 anos de reclusão. Os agentes podem perder os cargos públicos em caso de condenação na Justiça comum. No âmbito administrativo, eles responderão a processo disciplinar e podem ser demitidos da corporação.

Fonte: Estado de Minas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s