Maratona de morte

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A caçada aos irmãos Dzhokhar e Tamerlan Tsarnaev aterrorizou mais de 1 milhão de pessoas na região de Boston. O primeiro, aos 19 anos, foi preso, e o segundo morreu

Ele tem 19 anos. Ele considera “carreira e dinheiro” as metas mais importantes da vida. Ele é popular entre os ex-colegas de escola. Ele torce para o time de futebol Anzhi Makhachkala, do Daguestão, no qual jogaram Roberto Carlos e Eto”o. Ele está preso desde as 20h45min de ontem (21h45min de Brasília) como principal suspeito de autoria do atentado de Boston.

Desde o final da noite de quinta-feira, o rosto juvenil de Dzhokhar Tsarnaev passou a integrar uma parede da má fama na qual despontam as faces de Osama bin Laden, Anders Breivik e Shoko Asahara: a galeria do terror. Depois de uma caçada que durou quatro dias, Dzhokhar (pronuncia-se “Djarrár”) foi detido no interior de uma lancha na Franklin Street, em Watertown, região metropolitana de Boston. Ele e seu irmão, Tamerlan Tsarnaev, 26 anos, são suspeitos de terem cometido o maior ataque terrorista em solo americano desde o 11 de Setembro, ao detonarem duas bombas caseiras perto da linha de chegada da Maratona de Boston, deixando três mortos e mais de 180 feridos. Desde então, mais de 9 mil policiais de Boston e agentes do FBI, a polícia federal americana, procuram pela dupla, identificada por meio de vídeos e fotos feitas no dia do crime. Na noite de quinta-feira, Tamerlan morreu em circunstâncias ainda obscuras enquanto os dois fugiam da polícia depois de roubar uma caminhonete em Cambridge, na região metropolitana de Boston.

A caçada a Dzhokhar, que, conforme sugerem imagens de câmeras de segurança divulgadas ontem, continuava na noite de quinta-feira a usar o mesmo boné branco com o qual aparecia nas fotos do dia do atentado, tornou-se o assunto mais palpitante para milhões de moradores da região de Boston, confinados a suas residências pelas forças de segurança. Desde o início da manhã de ontem, as autoridades isolaram um perímetro em Watertown, no qual foi feita uma varredura casa a casa. Na última vez em que foi visto, no final da noite de quinta-feira, antes de furar um cerco policial após a morte do irmão, Dzhokhar pilotava uma caminhonete que abandonou mais tarde.

Do início da tarde, quando os meios de comunicação americanos confirmaram que era ele o usuário da conta @J–tsar no Twitter, ao início da noite, seu número de seguidores saltou de cerca de 11 mil para mais de 55 mil. O mais curioso era que sua conta indicava a postagem de 1.101 mensagens ao ser identificada, enquanto, à noite, o número havia caído para 1.099. O fugitivo mais temido do mundo continuaria acessando o Twitter durante a fuga?

Para pai dos jovens, houve “armadilha”

Familiares de Dzhokhar e Tamerlan deram na tarde de ontem testemunhos contraditórios a respeito do possível envolvimento dos jovens no atentado. Um tio paterno dos jovens, Ruslan Tsarni, declarou-se indignado com a possibilidade de participação dos familiares no crime de segunda-feira.

O tio afirmou que, se a culpa for confirmada, ambos merecem a morte:

– Dzhokhar, se você está vivo, entregue-se e peça perdão – afirmou Tsarni, que se diz afastado da família do irmão.

Por outro lado, o pai dos suspeitos, Anzor Tsarnaev, que está no Daguestão, disse à Associated Press que o serviço secreto americano preparou uma “armadilha” para seus filhos e que Dzhokhar é um jovem inteligente e talentoso.

Quem é Dzhokhar? Desde que sua identidade foi confirmada, as informações a seu respeito se aproximam mais do serial killer juvenil do que do terrorista internacional. A página do jovem na rede social em língua russa VKontakte indica que ele nasceu em 22 de julho de 1993 e frequentou a escola primária em Makhachkala, capital do Daguestão, província russa que faz fronteira com a Chechênia, república sob controle russo da qual sua família seria originária. Segundo o canal de TV CNN, Dzhokhar entrou nos Estados Unidos em 1º de julho de 2002, aos oito anos de idade, com um visto de turista e acompanhado de outros membros de sua família. Já em solo americano, ele entrou com o pedido de asilo, que teve o processo concluído no dia 11 de setembro do ano passado. Coincidentemente, nesse dia ocorreu o ataque ao consulado dos Estados Unidos em Benghazi, na Líbia, no qual morreram três americanos, episódio que se tornou um divisor de águas na campanha pela reeleição do presidente Barack Obama. Já Tamerlan chegou ao país quatro anos depois do irmão mais novo, em 6 de setembro de 2006, aos 20 anos. Ele legalizou sua permanência com um green card (visto permanente), mas não era naturalizado.

Médica brasileira encontrou caos

Como a maioria dos chechenos, Dzhokhar e Tamerlan são muçulmanos. O primeiro postou na internet links para sites islâmicos e outros que defendem a independência chechena. Não há comprovação, no entanto, de que os irmãos tenham agido com motivação política ou religiosa de qualquer tipo.

– Dzhokhar não era “eles”. Era “nós”. Ele era Cambridge – afirmou ao jornal The Wall Street Journal a americana Andrea Kramer, mãe de um ex-colega do jovem foragido.

Do ponto de vista de analistas de segurança, o perfil comum de Dzhokhar (seu irmão seria mais introspectivo) torna-o apenas mais perigoso. “Lobos solitários são livres para agir em qualquer cenário que possam imaginar”, escreveu ontem o presidente da Political Risk Assessment Company, Jeffrey D. Simon, no site da revista Foreign Policy.

No final da tarde de ontem, as autoridades suspenderam o toque de recolher que manteve mais de 1 milhão de pessoas em suas casas ao longo do dia. A médica e professora da Universidade Federal de Santa Maria Beatriz da Silveira Porto, que chegou a Boston na manhã de ontem, encontrou a cidade em polvorosa e ficou fechada no hotel.

– As ruas estão vazias, tudo está fechado, a orientação é para as pessoas permanecerem em casa – disse Beatriz, no início da noite.

Fonte: Zero Hora

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