Farra das festas continua

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Contratação de empresas sem licitação para produção de eventos em cidades do interior tem participação de prefeituras e pessoas já denunciadas por envolvimento no esquema

Alessandra Mello

A suspensão das emendas parlamentares do Ministério do Turismo para a realização de festas em Minas Gerais não inibiu as prefeituras de continuar realizando esses eventos. Eles agora são bancados pelos cofres municipais, mas continuam sendo feitos sem licitação e com a participação das mesmas prefeituras e pessoas já denunciadas por envolvimento no esquema. Caso por exemplo da Produções Artísticas Linearte, que pertence ao ex-prefeito de Caputira Jairo Cássio Teixeira (PTC), conhecido como Jairinho, alvo de uma condenação e cinco processos na Justiça Federal movidos pelo Ministério Público por causa de desvio de recursos na realização de festas.

A Linearte está registrada em nome do filho de Jairo, Wanderson Oliveira Teixeira (PTB), atual prefeito de Caputira. Jairo, condenado pela Lei Ficha Suja, e sua antiga empresa de produção de eventos, a Tamma Produções, que tinha sede na cidade, não podem assinar contratos com a administração pública, além de terem os bens bloqueados pela Justiça Federal de Governador Valadares, com outras pessoas acusadas de desviar emendas parlamentares para a realização de festas no interior do estado.

Wanderson já foi dono da WM Produções, que antecedeu a Tamma. Registrada também em Caputira, a nova empresa da família foi criada em fevereiro de 2010 e desde então vem fazendo eventos em diversas cidades. A reportagem levantou a contratação da Linearte por 17 prefeituras, muitas delas, como Santana do Manhuaçu, Cuparaque, Divino das Laranjeiras, no Leste de Minas, envolvidas nas irregularidades bancadas com recursos do Ministério do Turismo. As prefeituras de Abre Campo, Santo Antônio do Grama, Cuparaque e Sabará também contrataram a Linearte com dispensa de licitação. A justificativa era de que a Linearte era a detentora da exclusividade dos artistas que se apresentariam nos eventos. Todas essas contratações foram feitas pelas administrações passadas.

O prefeito de Caputira nega que a Linearte pertença ao seu pai. “Meu pai fechou a empresa dele e eu abri a minha”, garante. Ele negou também que a empresa esteja sendo contratada sem concorrência. Segundo ele, todos os contratos são feitos por meio de licitação. A reportagem não conseguiu falar com Jairo. Wanderson não soube informar o nome da produtora de eventos responsável pela Festa do Trabalhador de Caputira – que acontece neste fim de semana – e que, segundo ele, teria sido contratada por meio de licitação.

O prefeito disse se lembrar apenas que se trata de uma empresa da região. Disse ainda que a prefeitura só tem como informar o nome da produtora vencedora do certame e das outras que participaram da concorrência na segunda-feira. “É que todos os funcionários do setor de licitação já foram embora”, assegurou. Em janeiro reportagem do Estado de Minas revelou que o pai do prefeito de Caputira, impedido pela Lei Ficha Limpa de disputar as eleições, despachava no gabinete de seu herdeiro.

Fonte: Estado de Minas

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