Pirâmide: o golpe do lucro fácil

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Lucro rápido? Desconfie. É uma pirâmidetrueO sonho do lucro fácil, sem esforço, pode se transformar em pesadelo. É o que acontece com milhares de brasileiros que buscam em empresas sem credibilidade um atalho para chegar ao sucesso. Atraídas pela facilidade do serviço e por ganhos elevados, muitas pessoas investem em negócios ilegais, as chamadas pirâmides financeiras, e levam calotes milionários.

As empresas funcionam com fachadas como Telexfree, Bbom, paginalucrativa.com, Blackdever, mistercolibri.com e Eletromil. Muitas delas estão sendo investigadas pelo Ministério Público Estadual (MPE) de várias unidades federativas por suspeita de irregularidades. O sistema envolve a captação de clientes, que pagam taxas de adesão altas e depois precisam divulgar a empresa para cooptar novos investidores. No início da cadeia, essas companhias garantem altos rendimentos para quem está no topo, mas as pirâmides invariavelmente entram em declínio em determinado momento, e a maioria dos “investidores”, que está na base, fica no prejuízo.

O substituto da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), Amaury Oliva, diz que o Ministério da Justiça está atento aos casos mais graves, alguns com representação em todo o país. “A Telexfree é investigada pela Senacon, porque há indícios de que se trata de pirâmide. A população precisa ficar alerta, que dinheiro fácil não existe. E pirâmide é caso de polícia, envolve vários delitos”, afirmou. Formação de quadrilha, crime contra a economia popular, indução do consumidor ao erro e estelionato são alguns deles.

“Estamos em contato direto com a Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Justiça, porque identificar se é ou não pirâmide financeira não é fácil. Precisa provar que o negócio não tem sustentabilidade a longo prazo”, destacou. Os órgãos de defesa do consumidor também enfrentam dificuldade, porque as denúncias só ocorrem depois que o esquema ruiu, ou seja, quando já não existe possibilidade de recuperar o dinheiro aplicado. “E tem gente que vende casa e carro para investir nesses negócios”, lamentou Oliva.

No caso da Telexfree, a empresa atua com prestação de serviços de telefonia VoIP. Entretanto, não tem autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para operar no setor, segundo Lítia Cavalcanti, promotora de Justiça de Defesa do Cidadão de São Luís (MA). O Banco Central também não as reconhece como instituições financeiras e elas tampouco estão associadas à Associação Brasileira de Vendas Diretas. As cotas iniciais de pagamento são de R$ 600, mas há quem invista de uma vez só R$ 32 mil, na esperança de ter retorno multiplicado desse valor.

No Maranhão, o esquema da Eletromil — fachada de pirâmide por compras premiadas — deu um prejuízo de R$ 30 milhões. E não existe como recuperar esse dinheiro, de acordo com a promotora Lítia. “Os consumidores devem entrar em contato com os órgão de defesa e denunciar as empresas. Quem foi prejudicado não precisa temer, porque não será considerado réu por participar do esquema, e sim vítima da fraude”, alertou ela.

Na Justiça

Os MPEs de São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Espírito Santo, Maranhão, Acre, Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais e Pernambuco estão investigando empresas suspeitas de praticar a pirâmide financeira. A promotora de Justiça do Acre, Nicole Arnoldi, ajuizou uma ação contra a empresa Telexfree em 27 de maio e aguarda decisão do juiz para a próxima semana. “Já foi concluído que o esquema é pirâmide. Assim que sair a decisão, eu vou expor os meus argumentos”, afirmou.

Mas Nicole adianta que, além da Telexfree, outras cinco empresas atuam em modelo semelhante. E algumas podem, inclusive, ser dos mesmos grupos, que apenas trocam o nome de fachada quando a pirâmide começa a declinar e a dar prejuízo para os integrantes.

Divulgadores da Telexfree, como são denominados pela empresa, dizem que, em uma semana de trabalho, é possível recuperar o dinheiro investido. Basta eles convencerem mais “clientes” a ingressarem no grupo. Segundo uma fonte que atua nesse mercado, a função de cada novo participante é dar dinheiro para os que estão no topo da pirâmide, que, geralmente, são os chefes do golpe. “Só que nem todos sabem disso e se iludem”, disse.

Com a popularidade da rede mundial, novos tipos de esquemas apareceram, e os antigos se modernizaram ou trocaram de nome. Há, na internet, centenas de propostas de negócios do tipo “monte um site e vire milionário” ou “invista R$ 12 e ganhe R$ 200 mil.” Isso tudo se baseia em pressupostos falsos, mas, aparentemente, sólidos, semelhantes aos tradicionais esquemas de marketing multinível, que é um sistema derivado das vendas diretas.

O que difere os dois tipos de negócios é que, na pirâmide, o recrutamento de pessoas é o que gera ganhos maiores, e não a venda de produtos. Outra divulgadora da Telexfree, que está no esquema há pelo menos dois anos, revela que só precisa publicar no sistema Voip um anúncio por dia para ter um retorno de R$ 1,5 mil por mês. “Tenho um escritório virtual. Basta copiar e colar o anúncio e validar a publicação”, explicou. Ela detalha que, mesmo que o divulgador não tenha uma equipe com muitas pessoas, o salário é certo. “Mas, se você chamar mais clientes, os lucros aumentam”, completou.

Alguns casos até utilizam, para ajudar na difusão e disfarçarem as reais intenções, conceitos e métodos do marketing. “O produto vendido pelo sistema de venda direta raramente tem um valor próximo de seu preço real e tampouco é o verdadeiro e principal foco do negócio e da suposta renda gerada pelo sistema”, contou a integrante da Telexfree.

Herbalife na mira

Em dezembro do ano passado, Bill Ackman, dono de um dos maiores fundos de hedge dos Estados Unidos, defendeu que a Herbalife, empresa de shakes e bebidas para perda de peso, não passa de um esquema de pirâmide — em que o lucro principal vem do recrutamento de novos vendedores, e não da venda dos produtos. O modelo de negócios da empresa ganhou desconfiança e, na Bélgica, está sendo investigado pela Securities and Exchange Comission (SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA).

Fonte: Correio Braziliense

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