Saques revelam metrópole celta

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Homem furtou por anos artefatos de vilarejo espanhol

Por SUZANNE DALEY

ARANDA DE MONCAYO, Espanha – O pacato vilarejo de Aranda de Moncayo ganhou a atenção internacional após a prisão de um homem que falava com poucas pessoas, mas era visto perambulando com um detector de metais à noite.

Investigadores que revistaram suas propriedades encontraram mais de 4.000 artefatos antigos furtados que teriam sido, quase todos, escavados do morro ao lado da casa dele.

A polícia diz que a prisão do acusado é apenas o primeiro passo em uma investigação que começou quando dois capacetes de bronze foram colocados à venda numa casa de leilões alemã.

Parece que 2.000 anos atrás havia uma metrópole celta, Aratikos, no alto do morro.

A cidade teria sido destruída por invasores romanos.

O caso levou a prefeita de Aranda de Moncayo, Rosario Cabrera, a visualizar um novo futuro para os 200 moradores do vilarejo apático. Primeiro ela quer que seja feita uma escavação arqueológica correta. O passo seguinte poderia ser a construção de um pequeno museu local.

“Isso poderia atrair muitos turistas para cá”, disse a prefeita, que está rapidamente se tornando especialista nos celtas ibéricos que se radicaram nesta região e viraram alvos da agressão romana porque a região era rica em cobre, prata e ferro. Historiadores creem que a cidade antiga, situada a duas horas ao norte de Madri, foi queimada até o chão.

Tendo encontrado moedas e pedaços de cerâmica antigos ao longo dos anos, a maioria dos habitantes de Aranda de Moncayo sabia que a região tinha uma história interessante, mas o local exato da cidade antiga era duvidoso.

Especialistas dizem que pelo menos 18 capacetes antigos foram roubados ilegalmente de Aranda de Moncayo -muito mais que os que já foram encontrados antes de forma legalizada.

As autoridades disseram ter detido Ricardo Granada, 60, em março, por envolvimento no caso, e que ele pode ter colhido antiguidades na área por 20 anos.

Cabrera contou que Granada certa vez comprou um terreno no sopé do morro. Mas ele não parecia saber muito sobre métodos arqueológicos. Usou uma escavadeira para retirar a terra e levá-la embora num caminhão.

Especialistas do Museu Central Romano-Germânico, em Mainz, viram os capacetes em um leilão em 2008 e chamaram a polícia para pedir que eles fossem embargados para que a Espanha pudesse solicitar seu retorno, contou Michael Müller-Karpe, pesquisador do museu.

As autoridades não fizeram nada, e os capacetes foram devolvidos à casa de leilões.

A ideia da prefeita de construir um museu agrada a alguns moradores da vila.

“Muitas pessoas daqui são idosas e só querem paz e tranquilidade”, comentou Pilar Gonzalez, proprietária de um pequeno restaurante e hotel na praça da cidade. “Mas um museu, ou qualquer coisa que chamasse pessoas para cá, nos beneficiaria.”

Fonte: The New York Times (Folha de São Paulo)

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