Compositores perdem milhões em direitos autorais

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Barrett Strong aprendeu pelo menos uma coisa em seus 72 anos de vida: “As canções sobrevivem mais do que as pessoas. Quando você for embora, elas ainda vão estar tocando”.

Strong hoje vive em um asilo em Detroit. Muitas das suas criações continuam fazendo sucesso em gravações digitais, apresentações ao vivo e em um punhado de vitrolas. Ele foi coautor de clássicos como “I Heard It Through the Grapevine” e “Just My Imagination”.

Ultimamente, Strong reivindica sua participação em outro tesouro da gravadora Motown: “Money (That’s What I Want)”, que ele gravou em 1959 -aos 18 anos. Strong, que cantou e tocou piano na faixa, diz que também participou da composição, o que seria um crédito significativo diante dos milhões de dólares em direitos autorais que se seguiram. “Money” foi gravada pelos Beatles e pelos Rolling Stones e foi ouvida no cinema, na publicidade e na Broadway. Strong diz que nunca recebeu nenhum dividendo.

O “New York Times” noticiou que ele foi listado como um dos coautores nos primeiros registros de direitos autorais da música, mas que seu nome foi retirado, recolocado e retirado de novo ao longo dos anos. Advogados da Motown dizem que Strong foi listado como compositor apenas por causa de um erro burocrático e que, seja como for, ele ultrapassou o prazo previsto em lei para contestar a atribuição da autoria.

Se Strong não conseguiu antever corretamente o lucrativo prazo de validade dessa canção, ele não é um caso isolado na indústria musical.

Entretanto, outro cantor e compositor teve mais sucesso na recuperação de direitos autorais perdidos há muito tempo. Victor Willis, mais conhecido como o policial e o vocalista do Village People, recuperou sua parte nos direitos de “YMCA” e de algumas outra gravações do grupo da década de 1970. Num tipo diferente de disputa do que a travada por Strong, Willis fez valer seu “direito de rescisão”, que permite que músicos e compositores nos EUA recuperem o controle da sua obra após 35 anos, mesmo que eles tenham algum dia aberto mão dos direitos.

“Quando você é jovem, só quer chegar lá e não está realmente prestando atenção para o que está no papel”, disse o artista, que tinha 27 anos quando “YMCA” foi lançada. “Nunca sequer li um contrato que colocaram na minha frente. Esse foi um grande erro.”

Para quem evita esse tipo de equívoco, a recompensa pode ser alta. Veja a frutífera longevidade de “Be My Baby”, clássico produzido por Phil Spector e gravado pelas Ronettes há 50 anos. A gravação é “a mais onipresente que o pop pode conseguir ser” -está no cinema, na TV e até “como cobertura em um comercial de TV do remédio para disfunção erétil Cialis”. Muitos se lembram melhor dela por causa da sequência de abertura do filme “Dirty Dancing”, de 1987.

“Pagamos mais por aquela música do que por qualquer [outra] música no filme, e acho que ela dura 45 segundos”, disse ao “Times” Linda Gottlieb, produtora do longa. “Minha lembrança é de que foi algo como US$ 75 mil, o que era além da compreensão para um filme com um orçamento total de US$ 4,5 milhões. Mas valeu muito a pena.”

“Be My Baby” foi boa para Ronnie Spector, vocalista principal das Ronettes e ex-mulher de Phil Spector. Mas há limites. Ela não está autorizada a cantá-la em “Beyond the Beehive”, show com o qual está em turnê, “porque Phil disse que não”, contou. “Ele tem os direitos de publicação.”

Spector, que foi coautor de “Be My Baby”, atualmente está preso por ter assassinado a atriz Lana Clarkson em 2003. Mesmo atrás das grades, observou o “Times”, “seu domínio sobre a canção está intacto”.

ALAN MATTINGLY

Fonte: The New York Times (Folha de São Paulo)

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