Baixaram o volume dela

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A âncora do SBT, hostilizada nas redes sociais e ameaçada de processo pelo PSOL, não poderá mais dizer o que pensa no jornal da emissora

A jornalista paraibana Rachel Sheherazade, 40 anos, passou as últimas semanas negando rumores de que teria sido demitida do SBT Brasil, programa do qual é âncora. Segundo os boatos, o canal de Silvio Santos teria cedido à pressão para tirá-la do ar após a enorme repercussão de declarações suas sobre aborto (ela é radicalmente contra a legalização) e segurança pública (afirmou ser compreensível a atitude de vingadores que prenderam um bandido num poste no Rio de Janeiro). Ao voltar de férias de João Pessoa, na última segunda-feira, ela foi convocada para uma reunião com a cúpula da emissora, da qual saiu uma hora e meia depois proibida de continuar emitindo as opiniões que provocam amor e ódio nas redes sociais. Na mesma ocasião, porém, ouviu a promessa de que vai comandar um programa-solo no segundo semestre. “Às vezes, é preciso dar um passo para trás antes de dar um salto para a frente”, disse ela. “Sofro com as pressões, mas sou boa de briga e dura na queda.”

Um dos motivos do recuo do SBT envolve questões de segurança, de Sheherazade e da empresa. Nos últimos tempos, a jornalista recebeu ameaças em posts da internet e torpedos de celular. Avisos do mesmo tipo chegaram também a membros da equipe do telejornal. A apresentadora foi orientada a trocar o telefone, passou a ter um serviço de escolta do canal e mandou blindar os carros da família. Em fevereiro, deputados do PSOL e do PCdoB entraram com representações no Ministério Público contra ela e a emissora para que ambas respondam civil e criminalmente por apologia ao crime. Desde que foi contratada, em 2011. Sheherazade gozava de plena autonomia no SBT. Nem sequer precisava aprovar com a chefia o texto que iria ler no ar. Essa liberdade fez com que seus comentários chamassem mais atenção que o próprio programa, que registra uma média de 5 pontos de audiência.

A apresentadora é uma das quatro filhas de um casal de funcionários públicos. Depois de se divorciar, nos anos 80, quando Sheherazade era adolescente, o pai se casou novamente e teve outros dois filhos. A mãe morou por quatro anos nos Estados Unidos, onde trabalhou como estoquista de supermercado e faxineira. Nessa época, Sheherazade ficou no Brasil, morando com a avó materna. Evangélica, vai à Igreja Batista todo domingo. Durante o curso de jornalismo na Faculdade Federal da Paraíba, trabalhou como professora de inglês até ser aprovada num concurso para técnica judiciária do Tribunal de Justiça. O cargo, de escrevente na Vara da Família, rendia-lhe um 1 salário de 3 600 reais, em valores atualizados. Hoje, I ela ganha 90 000 reais, 50 000 a mais que no ano passado, quando renovou seu contrato com o SBT.

O Partido Ecológico Nacional (PEN) já a convidou para se lançar a vice-presidente da República. A âncora também recebeu proposta do Partido da República (PR) para disputar vaga de deputada federal. “Estou empenhada no jornalismo, por isso recusei”, diz. Mas Sheherazade afirma que não descarta a possibilidade de ingressar na política um dia. “A certeza que tenho é que, onde quer que eu esteja, não vou me calar.”

Fonte: Veja

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