ONU monitora caso Malhães

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A viúva do coronel reformado do Exército Paulo Malhães, Cristina Batista Malhães, e o caseiro do sítio onde ele foi assassinado, Rogério Pires, foram ouvidos pela polícia ontem. Pela manhã, a morte do militar que há cerca de um mês relatou à Comissão Nacional da Verdade (CNV) ter participado de torturas e desaparecimentos, no período da ditadura militar, repercutiu no Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos. A entidade pediu “investigação imediata” do homicídio e solicitou informações mais detalhadas à unidade mais próxima, que fica no Chile. A Polícia Civil do Rio, além de colher depoimentos de parentes da vítima, está à procura de imagens de câmeras de segurança da região para análise. À noite, a CNV se reuniu com a Casa Civil do governo fluminense para entregar a íntegra do depoimento de Malhães, além de pedir que os investigadores considerem a possibilidade de queima de arquivo.

O laudo pericial, que indicará a causa da morte de Malhães, ainda não foi finalizado. Há, até o momento, duas suspeitas do que vitimou o coronel: enforcamento ou um ataque cardíaco. Conforme os depoimentos da mulher de Malhães e do caseiro, pelo menos três homens invadiram o sítio, na Baixada Fluminense, na quinta-feira. Um deles estava com o rosto coberto. Cristina e Rogério foram mantidos como reféns em cômodos separados, enquanto os criminosos levaram armas de coleção, dois computadores, joias e uma pequena quantia em dinheiro.

Depois que os bandidos deixaram o imóvel, o coronel foi encontrado morto. A principal linha de investigação é latrocínio — roubo seguido de morte. Por isso, a ajuda oferecida pela Polícia Federal foi desconsiderada, até agora, pelos agentes estaduais. Mas eles não descartam a possibilidade de queima de arquivo ou mesmo vingança — perpetrada por alguma vítima do regime.

Em 21 de março, Malhães falou à Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, e em 25 do mesmo mês, prestou depoimento à Comissão Nacional da Verdade. Nas duas ocasiões, o coronel deu detalhes de torturas e ocultação de cadáveres. Ele admitiu que participou do sumiço do corpo do deputado cassado Rubens Paiva, em 1971. Depois, Malhães voltou atrás, dizendo não se lembrar se foi o autor da ação. Apesar do depoimento bombástico, a polícia não obteve informações de que o coronel vinha sofrendo ameaças. Desde o fim de semana, investigadores buscam traçar um perfil da vítima, tentando checar se ele tinha desafetos. Pelo menos dois dos cinco filhos do militar já foram ouvidos.

Relatório do Riocentro

Será apresentado hoje, no Rio de Janeiro, relatório preliminar da CNV sobre o atentado no Riocentro, praticado em 30 de abril de 1981 por militares. Segundo a pesquisa, o objetivo era explodir bombas para causar pânico e mortes na população civil presente na casa de espetáculos, onde ocorria show de música popular brasileira, organizado por artistas e sindicatos em comemoração ao Dia do Trabalhador. Mas um dos artefatos levados pelo capitão Wilson Machado e pelo sargento Guilherme Pereira do Rosário — descontentes com a abertura do regime — explodiu no interior do carro de Machado, que ficou gravemente ferido. Rosário morreu na hora.

Fonte: Correio Braziliense

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